Atelier de Validação da Estratégia Nacional de Prevenção do Radicalismo e Extremismo Violento reúne atores-chave em Bissau

Com o apoio da União Europeia e do Camões, I.P., o projeto Observatório da Paz – Nô Cudji Paz realiza, amanhã, dia 16 de abril, a partir das 09h00, na Casa dos Direitos, em Bissau, um atelier de validação da Estratégia Nacional de Prevenção da Radicalização e do Extremismo Violento (PREV) na Guiné-Bissau. A iniciativa reúne cerca de 40 participantes para analisar e consolidar este importante instrumento estratégico de promoção da paz, da coesão social e da estabilidade no país.

O encontro conta com a participação de representantes de organizações da sociedade civil, líderes religiosos e tradicionais, organizações de juventude e associações de mulheres, instituições académicas e centros de investigação, bem como representantes dos meios de comunicação social.

 

  1. CONTEXTO E JUSTIFICAÇÃO

O crescimento de movimentos e manifestações de radicalização e extremismo violento (REV) constitui uma ameaça significativa à paz, à segurança e ao desenvolvimento sustentável. Estes fenómenos têm impactos profundos, agravando as fragilidades socioeconómicas existentes, enfraquecendo a coesão social e comprometendo os progressos alcançados em matéria de desenvolvimento.

A Guiné-Bissau é historicamente reconhecida como um mosaico étnico, linguístico e religioso, frequentemente citada como exemplo de tolerância e convivência pacífica entre diferentes comunidades. Contudo, o país enfrenta atualmente um conjunto complexo de fatores sociais, económicos, políticos e geográficos que podem favorecer o surgimento e a expansão de movimentos radicais e violentos. Estas dinâmicas são influenciadas pelas transformações geopolíticas da sub-região e, cada vez mais, pela instrumentalização política de questões identitárias.

No plano religioso, o país caracteriza-se pela coexistência entre diferentes confissões religiosas, incluindo comunidades islâmicas, católicas, evangélicas e outras, que convivem com crenças e práticas tradicionais africanas, particularmente de matriz animista. Todavia, nos últimos anos, alguns líderes religiosos e atores da sociedade civil têm manifestado preocupações relativamente ao surgimento de práticas religiosas mais radicalizadas e ao aumento de estratégias de recrutamento de jovens através de plataformas digitais.

Importa igualmente considerar o contexto de segurança na sub-região da África Ocidental e do Sahel, que nos últimos anos tem registado um aumento significativo das atividades de grupos extremistas violentos. Neste contexto regional caracterizado pela mobilidade transfronteiriça de indivíduos e redes criminosas, países como a Guiné-Bissau podem tornar-se potencialmente vulneráveis à infiltração ou instrumentalização por parte de grupos extremistas violentos.

Apesar destes sinais de alerta, o país ainda não dispõe de uma estratégia nacional estruturada para a prevenção da radicalização e do extremismo violento.

 

  1. OBJETIVO DO ATELIER

Objetivo Geral

Promover uma análise participativa, discussão estratégica e validação da Estratégia Nacional de Prevenção da Radicalização e do Extremismo Violento (PREV) na Guiné-Bissau, assegurando o envolvimento ativo de atores-chave e reforçando a apropriação coletiva deste instrumento estratégico para a promoção da paz, da coesão social e da estabilidade no país.

Objetivos Específicos

  • Apresentar e contextualizar os principais eixos estratégicos e mecanismos de implementação da Estratégia Nacional PREV;
  • Facilitar um espaço de diálogo e reflexão entre organizações da sociedade civil, líderes comunitários e outros atores relevantes sobre os desafios associados à prevenção da radicalização e do extremismo violento;
  • Recolher contributos técnicos e recomendações dos participantes para o aperfeiçoamento da estratégia e do respetivo plano de ação;
  • Promover o fortalecimento das parcerias e da articulação entre organizações da sociedade civil e outros atores institucionais no domínio da prevenção da radicalização;
  • Validar de forma participativa o documento estratégico antes da sua finalização.

 

  1. ESTRUTURA DA ESTRATÉGIA NACIONAL PREV

A Estratégia Nacional PREV estrutura-se em quatro eixos fundamentais:

  1. Promoção da Inclusão
  2. Educação, comunicação estratégica e sensibilização religiosa
  3. Reforço do Estado de Direito (governação e políticas públicas)
  4. Resiliência social e económica

 

  1. PROGRAMA DO ATELIER
Horário Atividade
09h00 Receção e registo dos participantes
09h15 Apresentação da Estratégia Nacional PREV
• Principais eixos estratégicos
• Conclusões e recomendações
10h15 Pausa-café
10h40 Espaço para perguntas de clarificação
11h00 –12h00 Painel de Restituição
Discussão aberta em plenária para recolha de contributos e expectativas dos diferentes atores
12h30 Pausa para almoço
13h30 Grupos de Trabalho Temáticos
Divisão dos participantes para discussão dos quatro eixos
14h00 –14h40 Restituição dos Grupos
Apresentação das conclusões de cada grupo
14h40 –15h30 Debate aberto para alinhamento de consensos
15h30 Considerações finais e encerramento

 

  1. RESULTADOS ESPERADOS

Espera-se que o atelier produza os seguintes resultados:

  • A Estratégia Nacional PREV analisada e validada pelos participantes;
  • Contributos técnicos e recomendações integrados na versão final do documento estratégico;
  • Reforço do diálogo e da cooperação entre organizações da sociedade civil, líderes comunitários e outros atores relevantes;
  • Maior sensibilização dos participantes sobre os riscos e desafios associados à radicalização e ao extremismo violento;
  • Fortalecimento do trabalho em rede e das parcerias para apoiar a futura implementação da Estratégia Nacional PREV.

 

  1. ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL

Esta iniciativa insere-se no âmbito das atividades do Observatório da Paz – Nô Cudji Paz, que promove o diálogo, a cooperação institucional e a participação ativa das comunidades na promoção da paz, da coesão social e da segurança humana na Guiné-Bissau.

O projeto é implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), com financiamento da União Europeia e cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

Uma iniciativa para construir, em conjunto, uma Guiné-Bissau mais pacífica, inclusiva e resiliente.



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